Polícia apura se quadrilha que roubou ouro no aeroporto de Guarulhos é a mesma que fez assalto milionário em Viracopos

Polícia apura se quadrilha que roubou ouro no aeroporto de Guarulhos é a mesma que fez assalto milionário em Viracopos

A Polícia Civil investiga se a quadrilha que roubou 718,9 kg de ouro avaliados em US$ 29, 2 milhões (algo em torno de R$ 110,2 milhões) do terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, foi a mesma que cometeu um outro assalto milionário em Viracopos, em Campinas, no interior paulista, no ano passado.

 

A maneira como os assaltantes agiram em 4 de março de 2018 é semelhante ao crime cometido na quinta-feira (25). Na ocasião, um grupo com pelo menos cinco homens armados com fuzis invadiu o pátio do terminal de cargas do aeroporto e roubou US$ 5 milhões (cerca de R$ 18,9 milhões, na cotação atual), além de quantias em libras e reais, que iriam para a Suíça.

 

Assim como na quinta, nenhum tiro foi disparado e os criminosos foram rápidos.

 

“Não descartamos nenhuma hipótese. Investigamos todas as possibilidades, inclusive essa, de que eles poderiam ter participado da quadrilha que cometeu o roubo em Viracopos”, disse o delegado João Carlos Miguel Hueb, da 5ª delegacia de roubos a Banco do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

 

O delegado acrescentou que apura se os criminosos fazem parte de alguma facção, e diz não descartar a participação de funcionários do terminal de cargas.

 

 

No roubo de quinta, o ouro roubado foi avaliado em US$ 29,2 milhões. Na conversão atual, o montante equivale a cerca de R$ 110,2 milhões. Nenhum suspeito foi preso.

Os metais estavam em 31 malotes que seriam levados de avião para Nova York, nos Estados Unidos (24 malotes, com 565,50 kg), e Toronto, no Canadá (sete, com 153,4 Kg).

 

O assalto

Segundo a polícia, ao menos 10 pessoas participaram do assalto. Fortemente armado, o grupo invadiu o terminal de cargas por volta das 14h30 em duas viaturas clonadas da Polícia Federal, sem placas (uma modelo Triton e a outra, uma Pajero Dakar).

 

No terminal, roubaram o ouro que estava dentro de caixas de metal. Os homens estavam com roupas de policiais federais, distintivos, encapuzados, com pistolas, fuzil e carabinas.

 

Os criminosos mantiveram o encarregado de despacho e a família dele refém na noite anterior, e assim, tiveram acesso a informações privilegiadas. Todos foram liberados sem ferimentos após o roubo.

 

Depois da fuga, as viaturas clonadas foram abandonadas no Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo. Os ladrões entraram em uma caminhonete S-10 e utilizaram uma ambulância para transporte da carga roubada.

 

 

Depoimentos

Nove pessoas prestaram depoimentos ao longo da madrugada desta sexta (26) no prédio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na Zona Norte de São Paulo.

 

Falaram à polícia sobre o crime o funcionário e duas mulheres mantidos reféns; o casal dono do galpão onde os veículos falsos da PF foram abandonados; dois funcionários do aeroporto e outros dois da transportadora de valores.

 

Policiais fizeram a perícia nos carros abandonados e recolheram impressões digitais. Segundo a polícia, os carros clonados como veículos da Polícia Federal (PF) não são roubados. No entanto, seus proprietários ainda não foram localizados.

 

A GRU Airport, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, disse em nota que o roubo não prejudicou o embarque e desembarque de passageiros, e que não houve tiroteio nem feridos.

 

A Brink’s, responsável pelo transporte do ouro até o terminal, informou que “está colaborando com as autoridades competentes para apuração do ocorrido”.

 

 

Fonte: G1