Aérea testa se vale a pena ter voo direto ultralongo de até 20h

Aérea testa se vale a pena ter voo direto ultralongo de até 20h

 A companhia aérea australiana Qantas tem feito nos últimos meses testes para realizar voos ultralongos, que podem chegar a 20 horas de viagem. O objetivo dos testes é verificar a capacidade dos aviões e como o corpo humano se comporta em voos tão longos. Os dois primeiros voos foram de Nova York (EUA) e Londres (Reino Unido) para Sydney (Austrália).

Caso obtenha resultados positivos, o Brasil também poderá receber voos ultralongos no futuro. Quando a Qantas anunciou o projeto em 2017, o Rio de Janeiro foi apresentado como um dos possíveis destinos da companhia aérea australiana. A distância entre Sydney e o Rio de Janeiro é de 13,5 mil quilômetros. São 3,5 mil quilômetros a menos que a distância entre Londres e Sydney (17 mil quilômetros).

 

Além da Qantas, outras companhias aéreas também poderiam fazer voos ultralongos para o Brasil. A Singapore Airlines, por exemplo, já chegou a ter uma rota entre Singapura e São Paulo. O voo, no entanto, fazia uma parada para reabastecimento em Barcelona (Espanha). Se voos de até 17 mil quilômetros se mostrarem realmente viáveis, a rota poderia ser feita sem escalas.

A distância entre Singapura e São Paulo é de 16 mil quilômetros. Outras rotas possíveis na Ásia seriam de São Paulo para Bangkok (Tailândia), com 16,4 mil quilômetros, ou Nova Déli (Índia), com 14,4 mil quilômetros. Pequim e Tóquio poderiam ter uma rota direta com o Nordeste brasileiro. Da capital chinesa até Fortaleza, enquanto de Tóquio para a capital do Ceará são 16,5 mil quilômetros.

Atualmente, o voo mais longo saindo do Brasil é entre São Paulo e Doha (Qatar). Em linha reta, a distância entre as duas cidades é de 11,8 mil quilômetros. No entanto, o voo teve a rota alterada em virtude da crise diplomática do Qatar com outros países do Oriente Médio e norte da África. Com isso, a distância efetivamente voada subiu para 13,6 mil quilômetros. São, em média, 14h30 na ida e 15h30 na volta.

 

Voos ultralongos ainda dependem de novos aviões

 

Apesar de a australiana Qantas já ter feito um voo direto entre Londres e Sydney, para que as rotas ultralongas se tornem viáveis comercialmente ainda é necessário que Boeing e Airbus desenvolvam aviões com maior autonomia de voo. O voo de teste da Qantas, feito com um Boeing 787-9, contou com apenas 52 pessoas a bordo, incluindo a tripulação, e sem carga.

Operando com a capacidade máxima de passageiros e cargas, os atuais aviões comerciais não teriam condições de fazer uma rota tão longa, já que o consumo de combustível seria maior. Boeing e Airbus trabalham para aumentar a autonomia de alguns modelos já existentes, como o 777 e o A350.

 

A Singapore Airlines tem atualmente o voo regular mais longo do mundo entre Singapura e Nova York, com 15,3 mil quilômetros. O Airbus A350-900 ULR, no entanto, foi configurado com apenas 161 assentos, sendo 67 de classe executiva e 94 de econômica premium. Os demais A350-900 da empresa contam com mais de 300 lugares.

A redução foi necessária para aumentar a autonomia. Apesar das dificuldades, o diretor de marketing da Boeing, Darren Hulst, afirmou ao UOL que o futuro 777-8 será o avião com maior autonomia do mundo e capaz de fazer voos diretos do Brasil para a Ásia. “Do Brasil para a Ásia é muito longe, mas o 777 terá potencial para algumas dessas rotas ultralongas, incluindo de Londres para Sydney, e também do Brasil para Ásia”, afirmou.

 

Demanda de voos no Brasil pode ser um problema

Mesmo com a questão técnica resolvida, o Brasil pode não ser incluído em rotas ultralongas tão cedo. “Será possível [voar direto para a Ásia], mas a questão principal é econômica”, afirmou o diretor da Boeing.

A consultoria britânica OAG, especializada em aviação, fez um estudo com dez potenciais rotas de alcance ultralongo que movimentam mais de 170 mil passageiros por ano, mas que ainda não contam com voos diretos. Todas têm presença em alguma cidade da Ásia, mas nenhuma para o Brasil ou América do Sul. São cinco ligando a Ásia aos Estados Unidos e as demais à Europa e Oriente Médio.

 

Além dos custos para se operar voos tão longos, é necessária uma análise da demanda para esse tipo de rota. O diretor da Boeing avalia que alguns passageiros, por exemplo, podem preferir voos com paradas para diminuir os efeitos da viagem.

 

Fonte: Todos a Bordo